A FUNDAÇÃO DA ASAP - UM MARCO PARA OS POVOS DE TERREIRO

No dia 24 de dezembro de 1963, na cidade de Niterói, então capital do antigo Estado do Rio de Janeiro, nasceu juridicamente a Associação Terreiro Santo Antônio dos Pobres (ASAP).Essa fundação foi fruto da visão grandiosa e do compromisso inabalável do Grande Bàbàlorísá Valdemiro T'Sàngò, líder espiritual e guardião de uma tradição que atravessa gerações — a jóia mais rara de sua vida: o Ilê Ògun Megégé-Asé Barulépé (Terreiro do Asé Barulépé).A criação da ASAP representou muito mais que um ato formal de registro. Foi a consolidação, perante a lei, de um espaço sagrado já vivo no coração de seu povo — um instrumento jurídico para proteger, preservar e expandir a herança religiosa, cultural e social que Valdemiro T'Sàngò cultivava desde a abertura do Terreiro do Asé Barulépé, em 1944.Ao longo dos anos, a sede e o foro da ASAP foram transferidos para a cidade de Duque de Caxias – RJ, estabelecendo-se definitivamente no complexo religioso do próprio Asé Barulépé. Esse retorno significou reconectar a entidade ao seu chão sagrado, onde o culto, a memória e a organização comunitária se unem em um só corpo.A fundação da ASAP foi um ato pioneiro entre os povos de terreiro, fortalecendo juridicamente uma casa que já era referência espiritual. Ela possibilitou que o legado do Bàbàlorísá Valdemiro T'Sàngò fosse preservado e continuasse a inspirar novas gerações, garantindo que a força de Ògun, o brilho de Sàngò e a devoção a Santo Antônio dos Pobres continuassem a pulsar, firmes no terreiro e na história.

Em 24 de dezembro de 1963, quando o Brasil ainda vivia sob fortes preconceitos e perseguições contra as religiões de matrizes africanas, o Grande Bàbàlorísá Valdemiro T'Sàngò rompeu barreiras e escreveu uma página inédita na história do candomblé do Sul e Sudeste do país.Naquela cidade de Niterói, ele formalizou a Associação Terreiro Santo Antônio dos Pobres – Ilê Ògun Megégé-Asé Barulépé como pessoa jurídica — um ato que, à época, era raríssimo e praticamente inexistente entre os povos de terreiro.O registro legal de uma casa de candomblé, nos moldes associativos, foi um marco de pioneirismo.

Mais do que um documento, tratava-se de um escudo jurídico contra a intolerância, garantindo que o espaço sagrado pudesse atuar não apenas como centro religioso, mas também como instituição cultural, social e comunitária. Esse gesto visionário colocava a ASAP como a primeira associação formalmente constituída de um terreiro de candomblé nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, criando um precedente que inspiraria outros terreiros a buscarem reconhecimento e proteção legal.

Uma visão à frente do seu tempo O Bàbàlorísá Valdemiro T'Sàngò compreendia que a tradição oral e os rituais, por mais sagrados que fossem, precisavam de um alicerce no mundo jurídico para resistir ao tempo e às pressões extremas. Sua visão futurista reconhecia que preservar o patrimônio imaterial — cantos, rezas, saberes, liturgia — estava diretamente ligado a proteger o patrimônio material do seu terreiro: o Ilê Ògun Megégé-Asé Barulépé, suas construções, objetos sagrados e o próprio território.Ao consolidar juridicamente a ASAP, Valdemiro T'Sàngò abriu caminho para que o candomblé fosse visto também como sujeito de direito, com capacidade de firmar parcerias, acessar políticas públicas e promover projetos culturais e educacionais

O ato de 1963 não apenas salvaguardava seu legado, mas lançou um modelo de resistência institucional que ecoa até os dias de hoje, reafirmando a dignidade e o direito de existir plenamente dos povos de terreiro.O pioneirismo da ASAP é, portanto, um símbolo de coragem, estratégia e amor à ancestralidade. É a prova viva de que a fé e a visão política podem caminhar juntas para garantir que o tambor nunca se cale e que a memória dos ancestrais continue pulsando, livre, no corpo e na alma de seu povo. Um legado de proteção e resistênciaEsse pioneirismo jurídico teve significado profundo e multifacetado.

Em um período de grande intolerância religiosa, registrar juridicamente um terreiro de candomblé não era apenas uma formalidade: era um ato de proteção, garantindo que o terreiro pudesse preservar seu patrimônio espiritual, cultural e material diante de ameaças externas. A formalização abriu caminhos para que o espaço sagrado pudesse também atuar como instituição social e cultural, promovendo educação, eventos e projetos comunitários. A visão futurista do Bàbàlorísá Valdemiro T'Sàngò foi decisiva.

Ele compreendeu que o legado ancestral precisava de uma base legal sólida para resistir ao tempo e às adversidades. Ao antecipar-se à necessidade de proteção jurídica, ele assegurou que os rituais, saberes e a liturgia estivessem protegidos por lei.A importância histórica da ASAP também reside em seu papel educativo e cultural. A associação permitiu que o terreiro participasse de políticas públicas, desenvolvesse projetos culturais e fosse reconhecido como referência institucional, abrindo espaço para debates sobre patrimônio religioso, direitos culturais e cidadania dos povos de terreiro. Em resumo, o pioneirismo da ASAP simboliza a união entre fé, ancestralidade e visão estratégica. É a prova de que a espiritualidade pode caminhar lado a lado com a legalidade, garantindo ensinamento e a conservação da memória ancestral.

1944

Fundação Religiosa

Criação do Terreiro Ilê Ògun Megégé-Àsé Barulépé (Terreiro do Àsé Barulépè) em Duque de Caxias – RJ, pelo, na época jovem, Grande Babalorixá Valdemiro T’Sàngò.

O Terreiro nasce como espaço sagrado de culto e reverência aos Orixás Ogum e Xangô. É a perpetuação do culto e a preservação dos Orixás africanos.

1944

1963

Marco Jurídico

Em 24 de dezembro de 1963, é consolidada a abertura e o registro jurídico do Terreiro do Àsé Barulépè, passando a ser juridicamente reconhecido pelo nome de fantasia: Terreiro Santo Antônio dos Pobres – Ilê Ògun Megégé-Àsé.

Sua localização original se deu na cidade de Niterói – RJ, que na época ainda fazia parte do Estado do Rio de Janeiro. A partir de então, a Associação passou a ser registrada como a 1ª instituição legalmente reconhecida em um terreiro de candomblé nas regiões Sul e Sudeste do país, ficando atrás apenas de duas grandes casas do Estado da Bahia — colocando-se como a terceira instituição mais antiga entre os terreiros de matriz africana no Brasil.

1963

1970

Participação em Ações Sociais

Com parcerias institucionais, o Terreiro atuou ativamente em programas de erradicação da fome, período em que o Brasil passou por uma grave crise em diversos estados. A ASAP tornou-se ponto de distribuição de grãos e outros suprimentos alimentares para a população carente e em situação de vulnerabilidade alimentar no entorno do Terreiro do Àsé Barulépè.

1970

1980

Implementação Ambiental Ancestral

Deu-se início ao plantio de árvores transladadas do continente africano, com visitas de importantes personalidades nigerianas ao terreiro. Entidades que residem em árvores foram trazidas para o culto e, até os dias atuais, continuam preservadas e com garantia de culto pelos responsáveis do terreiro.

1980

2007

Reconhecimento Cultural

Por meio dos esforços da ASAP, o Terreiro do Àsé Barulépè foi reconhecido como patrimônio cultural e histórico de Duque de Caxias – RJ.

2007

2018

Renovação do Corpo Diretor

A ASAP passou anos sem eleições, atravessando um período de quase abandono institucional. Em 2018, passou por mudanças drásticas tanto em seu corpo diretor quanto em suas visões e projetos, sendo considerado o ressurgimento da ASAP após anos de esquecimento (não há registros sobre o motivo ou os motivos que levaram a esse abandono).

Após a reestruturação de seu corpo diretor, a ASAP lançou seu brasão heráldico, com base em sua nova fase e conceitos. Trouxe ao Terreiro grandes inovações, como o Festival Cultural Reza de Santo Antônio dos Pobres, criado para angariar fundos destinados à manutenção financeira do complexo do Terreiro do Àsé Barulépè.

2018

2020

Visibilidade Virtual em Redes Sociais

Em 2020, a ASAP criou suas redes sociais, levando também o Terreiro do Àsé Barulépè para as plataformas digitais. O reconhecimento obtido foi surpreendente — não se imaginava que o lendário Terreiro do Àsé fosse se integrar às redes sociais. A ASAP viu nesse movimento uma oportunidade de dar visibilidade às suas ações e, consequentemente, ao próprio terreiro.

2020

2021

Expansão dos Territórios

Em 2021, tanto o Terreiro quanto a própria ASAP já eram liderados por uma nova formação de grupo voltada à expansão de suas ações. Foram então formalizadas legalmente as primeiras filiais, tanto do Terreiro do Àsé Barulépè — que passou a se chamar Ilê Ajagunà Okan N’Lá-Àsé Barulépè — quanto da própria ASAP, com a primeira filial da Associação Terreiro Santo Antônio dos Pobres.

Ainda neste mesmo ano, a filial de São Paulo criou o Projeto Coletivo Ebó Para Todos!, voltado a atender as vulnerabilidades alimentares e sociais causadas pela pandemia de COVID-19. Essas ações também foram desenvolvidas na matriz, em Duque de Caxias, e hoje mantêm, sob sua responsabilidade, 5 oficinas socioeducativas que ganharam reconhecimento cultural e social.

2021

2023

Criação de Premiações

A ASAP desenvolveu o Prêmio Lírio de Prata, que reconhece e valoriza personalidades de destaque em diversos campos, como literatura, ação social, política, meio ambiente, preservação ancestral, entre outros.

2023

2025

Reconhecimento Cultural pelo Governo Federal

Por meio de seus projetos culturais e sociais, a ASAP foi reconhecida como Ponto de Cultura pelo Edital ASAS/2025, consolidando a instituição como produtora de cultura e guardiã dos saberes ancestrais de matriz africana.

2025

2026

Reconhecimento Público

Neste ano, a ASAP foi reconhecida como de utilidade pública pela Câmara Municipal de Vereadores, em razão do trabalho de assistência prestado aos moradores da região e adjacências.

2026
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